O vinho de Colares vem de uma DOC minúscula na costa atlântica, a oeste de Sintra, a cerca de 30 minutos de Lisboa. Os tintos são feitos sobretudo com Ramisco e os brancos com Malvasia de Colares, de vinhas em pé-franco plantadas em areia funda. Conte com acidez alta, pouco álcool, um toque salgado e vinhos capazes de envelhecer durante décadas.
É a história que mais contamos ao balcão, na Graça.
O que é o vinho de Colares?
Colares é uma região demarcada apertada entre a Serra de Sintra e o oceano. Foi demarcada em 1908, no reinado de D. Manuel II, e gosta-se de dizer que é a região vinícola mais ocidental da Europa continental. A DOC abrange as freguesias de Colares, São Martinho e São João das Lampas.
Já foi muito maior. Nos anos 1930 havia cerca de 1800 hectares de vinha em areia. Hoje, segundo a Viúva Gomes, restam perto de 45, e só uns 20 são aptos para DOC Colares. As casas de praia e as segundas habitações ficaram com o resto. O que sobra é pequeno e teimoso, e é por isso que gostamos tanto dele.
As vinhas clássicas estão nas dunas (chão de areia); as outras crescem em solos mais duros de argila e calcário (chão rijo). O Colares clássico é o da areia.
Porque é que as vinhas estão na areia, e porque não são enxertadas?
Na segunda metade do século XIX, a filoxera destruiu a maior parte das vinhas da Europa. Em todo o lado, os viticultores tiveram de enxertar as videiras em porta-enxertos americanos. Em Colares, não. O inseto não se desloca na areia solta, e as vinhas mantiveram as suas próprias raízes. Ainda as têm.
Plantar aqui é trabalho duro a sério. Abre-se uma vala em um a quatro metros de areia até chegar à argila. A videira jovem vai para a argila e o buraco volta a ser tapado aos poucos, à medida que ela cresce. Raízes na argila, tronco na areia.
Estas vinhas não se parecem com nenhumas outras. As cepas velhas são conduzidas muito baixas, com os braços a rastejar pela areia, e paliçadas de canas secas cortam o vento salgado que vem do mar. As produções são mínimas. Cada garrafa é muita pá.
Ramisco e Malvasia de Colares: que sabor têm?
Segundo as regras da DOC, os tintos levam pelo menos 80% de Ramisco e os brancos assentam na Malvasia de Colares. Quase não se encontram estas castas em mais lado nenhum.
| Ramisco (tinto) | Malvasia de Colares (branco) | |
|---|---|---|
| Estilo | Taninos firmes, acidez viva, corpo leve a médio | Seco, tenso, mais encorpado do que se espera |
| Álcool | Normalmente cerca de 12% ou menos | Moderado |
| Aromas | Fruta vermelha, terra, um lado verde e salgado | Citrinos, fruta verde, amêndoa, cera, maresia |
| Jovem | Austero, um pouco rústico | Fresco e salino |
| Com a idade | Amacia e fica mais fino ao longo de muitos anos | Mais avelã, mais textura |
O Ramisco
O Ramisco é a casta dos tintos de guarda de Colares. Jovem, é fechado, quase severo, com muito tanino e acidez. Sozinho, um Ramisco novo pode ser um primeiro encontro difícil. Dê-lhe tempo. Garrafas dos anos 1960, e até dos anos 1930, ainda hoje se abrem com uma frescura surpreendente.
A Malvasia de Colares
Apesar do nome, a Malvasia de Colares é uma casta própria. Nada tem a ver com as Malvasias da Madeira ou de Itália. Dá brancos secos, de acidez alta e final salino. Se só provar um Colares, comece pelo Viúva Gomes Colares White 2022: dourado pálido, fruta de pomar e amêndoa, boca seca e firme, maresia no fim.
Quem faz vinho de Colares?
Um punhado de adegas. A Adega Regional de Colares, a cooperativa fundada em 1931, continua a contar muito. Até 1994, a lei obrigava a que o vinho de Colares passasse por ela, e boa parte das uvas da região ainda lá é entregue.
A Viúva Gomes foi fundada em 1808 na aldeia de Almoçageme. Hoje é gerida por José e Diogo Baeta, pai e filho. Trabalham cerca de cinco hectares, compram uvas a viticultores locais e mantêm o Ramisco e a Malvasia de Colares no centro. Também fazem vinhos de parcelas fora da areia. As suas colheitas antigas são a melhor prova que conhecemos de que Colares envelhece durante décadas.

Temos dois dos seus vinhos na loja:
- Viúva Gomes Colares White 2022 (50 cl), um DOC Colares de Malvasia de Colares, prensado em cacho inteiro e estagiado um ano em barrica de carvalho francês. A meia garrafa é a medida certa para dois.
- Viúva Gomes Viticultores Red 2022, um Vinho Regional Lisboa de Castelão, Ramisco e Touriga Nacional cultivados fora das areias de Colares. Não é DOC Colares, mas é uma entrada fácil e suculenta no estilo da casa.
Também pode encontrar a Casca Wines, a Ramilo e os vinhos da cooperativa. Se vir um Colares numa prateleira, leve-o.
Como servir vinho de Colares?
O Colares pede comida, de preferência vinda do mar.
| Branco (Malvasia de Colares) | Tinto (Ramisco) | |
|---|---|---|
| Temperatura | 10 a 12 °C | 15 a 16 °C, nunca quente |
| Arejamento | Abrir e servir | Uma hora no decantador, quando é novo |
| Com | Robalo ou dourada grelhados, amêijoas à Bulhão Pato, peixe curado, queijo de cabra fresco | Cabrito ou borrego assado, caça de pena, cogumelos, queijo curado |
Com o branco, um queijo de cabra fresco como o rolo de queijo de cabra Granja dos Moinhos funciona muito bem. Com o tinto, escolha um queijo curado dos nossos queijos portugueses.
As garrafas velhas podem ter depósito: ponha-as de pé na véspera e sirva com calma. Chega um copo médio, com espaço para rodar o vinho. E tenha paciência com um Ramisco novo. Se lhe parecer duro na primeira noite, volte a pôr a rolha e prove-o no dia seguinte. Muitas vezes está melhor.
Que mais provar da costa de Lisboa?

A mesma faixa atlântica, outras garrafas:
- Villa Oeiras 7 Year Old Carcavelos, o vinho generoso de outra pequena denominação histórica entre Lisboa e Cascais. Para mais profundidade, o Villa Oeiras 15 Year Old Superior Carcavelos.
- Vale da Capucha Fóssil White 2022, um Arinto e Fernão Pires biológico de solos calcários perto de Torres Vedras, a uns 10 km do oceano.
- Murgas Arinto White, um Arinto fresco da região de Lisboa. Abra-o com sardinhas.
O resto está na nossa coleção de vinhos portugueses.
Onde provar vinho de Colares em Lisboa?
No POP, Rua da Senhora do Monte 38C, na Graça. Estamos abertos de domingo a quarta, das 14h00 às 21h00, e de quinta a sábado das 14h00 às 22h00. O Miradouro da Senhora do Monte fica a 30 metros da porta. Pergunte-nos no bar que Colares podemos abrir, e prove antes de comprar. As provas guiadas reservam-se no nosso site irmão, lisbon-wine-tasting.com, ou escreva-nos pela página de contacto.
As perguntas que nos fazem
O que é o vinho de Colares?
Colares é um vinho DOC da costa de Sintra, perto de Lisboa, feito com Ramisco (tinto) e Malvasia de Colares (branco) de vinhas em pé-franco plantadas na areia. É uma das denominações mais pequenas e antigas de Portugal, demarcada em 1908.
Porque é que as vinhas de Colares não são enxertadas?
A filoxera, o inseto que destruiu a maior parte das vinhas europeias no século XIX, não se desloca na areia solta. As vinhas de Colares nunca foram atacadas e continuam a crescer sobre as suas próprias raízes.
Que sabor tem o Ramisco?
O Ramisco dá tintos de corpo leve a médio, com taninos firmes, acidez alta e álcool moderado, muitas vezes à volta dos 12%. Novo, é austero. Com anos de garrafa, fica fino e elegante.
O vinho de Colares é doce?
Não. Os tintos e brancos de Colares são vinhos secos. O vinho generoso e doce da costa de Lisboa é o Carcavelos, outra denominação.
Onde comprar vinho de Colares em Lisboa?
Vendemos o Viúva Gomes Colares White no POP, na Graça, e na nossa loja online. As adegas de Colares também se podem visitar, normalmente com marcação de prova.